domingo, 23 de agosto de 2026

A IMPORTÂNCIA DA MÚSICA PARA O DESENVOLVIMENTO DE PESSOAS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA - TEA


Gleydson Frota de Almeida1

1Programa de Pós-graduação em Inclusão - PROFEI – Instituto Federal do Ceará - IFCE

gleydson.frota97@aluno.ifce.edu.br

Lattes: http://lattes.cnpq.br/8998253070596436

 

Mônica Maria Siqueira Damasceno2

2Programa de Pós-graduação em Inclusão - PROFEI – Instituto Federal do Ceará - IFCE

monica.damasceno@ifce.edu.br

Lattes: http://lattes.cnpq.br/8735337963121936

 

 

Resumo: Este artigo analisa os efeitos da música no desenvolvimento de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), por meio de uma pesquisa bibliográfica de caráter exploratório e tem como objetivos específicos investigar as relações entre música e autismo, bem como analisar as contribuições da prática musical para o desenvolvimento humano. Os resultados indicam que a prática musical favorece a pessoa com TEA nas áreas de comunicação, interação social, engajamento afetivo e a aprendizagem, além de contribuir para a redução de comportamentos estereotipados e o fortalecimento dos vínculos sociais e familiares. Evidencia-se, ainda, a importância de diferenciar os conceitos de musicalização e musicoterapia, considerando que, embora ambas utilizem a música como elemento central, apresentam objetivos e metodologias distintas. Conclui-se que a música constitui um relevante recurso educacional e terapêutico, com potencial para promover o desenvolvimento integral de pessoas com autismo. Fundamentam esta investigação os estudos de Louro (2012), Gattino (2012), Penna (2015), entre outros.

 

Palavras-chave: Música; Transtorno do Espectro Autista; Musicalização; Musicoterapia.

 

1.      INTRODUÇÃO

A música constitui uma importante manifestação cultural e uma forma de expressão humana presente em diferentes sociedades ao longo da história. Sua utilização ultrapassa o campo artístico, estando relacionada a práticas religiosas, celebrações, manifestações sociais, contextos de guerras, movimentos corporais e processos de expressão e elaboração das emoções. Dessa forma, a música tem desempenhado um papel relevante na constituição da cultura e no desenvolvimento da humanidade.

Cabe destacar que, na Grécia Antiga, Platão já ressaltava, em sua obra A República, a importância da música para a formação do indivíduo. Segundo o filósofo, a música exercia influência direta sobre a alma, enquanto a ginástica (atividade física) contribuía para o desenvolvimento do corpo, promovendo o equilíbrio entre as dimensões física e intelectual do ser humano. Conforme citado por Sekeff (2002), Platão atribuía à música propriedades relacionadas ao cuidado da alma, razão pela qual a definia como um importante recurso para o desenvolvimento humano.

Na perspectiva de Swanwick (2003), a música constitui uma forma de pensamento e de conhecimento construída socialmente, estabelecendo relações com diferentes manifestações culturais. Ao discutir a educação musical, o autor afirma que:

 

o propósito da música não é, simplesmente, criar produtos para a sociedade. É uma experiência de vida em si mesma, que devemos tornar compreensível e agradável. É uma experiência do presente. Crianças estão vivendo hoje, e não aprendendo a viver para o amanhã. Devemos ajudar cada criança a vivenciar a música agora. (SWANWICK, 2003, p. 72).

  

A utilização da música como recurso terapêutico também vem sendo objeto de estudos há várias décadas, demonstrando resultados relevantes em diferentes áreas da saúde e da educação. Nesse sentido, investigar sua contribuição para o desenvolvimento humano torna-se pertinente, especialmente quando relacionada a pessoas com Transtorno do Espectro Autista - TEA.

De acordo com Gainza (1988, p. 22), "a música e o som, enquanto energia, estimulam o movimento interno e externo no homem, impulsionando-o à ação e promovendo uma multiplicidade de condutas de diferentes qualidades e graus". Tal compreensão reforça o potencial da música como instrumento capaz de favorecer aspectos cognitivos, emocionais, sociais e comportamentais.

A pesquisa parte da seguinte questão norteadora: a música pode constituir uma alternativa de comunicação e desenvolvimento para pessoas com TEA? Diante desse contexto, este artigo tem como objetivo geral analisar os efeitos da música no desenvolvimento da pessoa com Transtorno do Espectro Autista, e como objetivos específicos, busca investigar as relações entre música e autismo, bem como analisar as contribuições da prática musical para o desenvolvimento humano.

O estudo adota, como procedimento metodológico, a revisão bibliográfica de natureza exploratória baseada na análise sistemática da literatura científica buscando ampliar a compreensão acerca das relações entre música e autismo. Para tanto, foram analisadas produções científicas publicadas em livros, artigos, dissertações de mestrado e periódicos especializados sobre a temática.

Inicialmente, no texto, apresentam-se os conceitos metodológicos do trabalho, diferenças entre musicalização e musicoterapia, destacando suas especificidades conceituais. Em seguida, discutem-se as contribuições da música para o desenvolvimento de pessoas com TEA, com base nos referenciais teóricos selecionados para esta pesquisa. Por fim, são apresentados os resultados e discussão e as considerações finais, nas quais são retomados os principais resultados do estudo.

Embora existam pesquisas sobre educação musical e inclusão, observa-se que ainda são escassos estudos que sistematizam as evidências produzidas recentemente acerca da utilização da música como recurso pedagógico na Educação Especial, justificando a presente revisão.

 

2.      METODOLOGIA

Para a elaboração deste artigo, realizou-se uma pesquisa bibliográfica de caráter exploratório, fundamentada na análise de produções científicas relacionadas à temática investigada.

Como procedimentos metodológicos, foram adotadas as etapas propostas por Lakatos e Marconi (2003): escolha do tema, elaboração do plano de trabalho, identificação das fontes, compilação do material, fichamento, análise e interpretação dos dados e, por fim, redação do texto científico. Ainda de acordo com Lakatos e Marconi (2003, p. 45), a pesquisa bibliográfica sugere que:

 

as fontes para a escolha do assunto podem originar-se da experiência pessoal ou profissional, de estudos e leituras, da observação, da descoberta de discrepâncias entre trabalhos ou da analogia com temas de estudo de outras disciplinas ou áreas científicas.

  

A pesquisa fundamentou-se, principalmente, na análise de artigos publicados em revistas científicas, tese de doutorado, dissertação de mestrado e livros que abordam a temática investigada, selecionados por sua relevância e contribuição para a compreensão do objeto de estudo. Após a leitura dos títulos e resumos, procedeu-se à leitura integral dos textos e livros selecionados. Posteriormente, realizou-se análise temática buscando identificar convergências entre objetivos, metodologias e principais resultados.


3.      DIFERENÇAS ENTRE MUSICALIZAÇÃO E MUSICOTERAPIA

      3.1 Musicalização

 

A musicalização consiste no processo de desenvolvimento das habilidades musicais por meio da aprendizagem dos elementos fundamentais da linguagem da música, como ritmo, melodia, pulsação, timbre, intensidade, duração, fórmulas de compasso, percepção auditiva e apreciação musical. Trata-se do primeiro contato sistematizado com a linguagem musical, constituindo o alicerce para aprendizagens posteriores.

Embora seja frequentemente associada ao ensino infantil, a musicalização não se restringe às crianças. Jovens, adultos e idosos que não tiveram experiências anteriores com a música também podem participar desse processo, desenvolvendo competências musicais de acordo com suas possibilidades e interesses.

Nesse sentido, Penna (2015, p. 33) afirma que "musicalizar é desenvolver os instrumentos de percepção necessários para que o indivíduo possa ser sensível à música, apreendê-la, recebendo o material sonoro-musical como significativo". Assim, a musicalização não se limita ao ensino técnico da música, mas busca promover uma experiência de sensibilização estética, percepção sonora e construção do conhecimento musical.

Apesar de a música integrar o componente curricular Arte na Educação Básica, observa-se que conteúdos como ritmo, pulsação, melodia, timbre e apreciação musical ainda recebem pouca atenção em muitas escolas brasileiras. Em diversos contextos, a música permanece sendo compreendida apenas como entretenimento ou atividade recreativa, desconsiderando seu potencial formativo para o desenvolvimento cognitivo, artístico, cultural e social dos estudantes. Ao discutir esse processo, Penna (2015, p. 43) destaca que:

 

não compreendemos a musicalização apenas como um procedimento da pedagogia musical, um conjunto de técnicas que se justificam em si mesmas, por sua função imediata como etapa preparatória para um estudo de música mais amplo e aprofundado, de caráter técnico ou profissionalizante. Não cabe tomar a musicalização, portanto, como um trabalho “pré-musical”, uma preparação para um aprendizado nos moldes tradicionais (o estudo de “teoria musical”, de um instrumento etc.). Tampouco a entendemos como dirigida somente a crianças (o que é uma visão bastante comum).

 

 

 

Nessa perspectiva, a musicalização ultrapassa os limites do ensino tradicional da teoria musical, priorizando experiências significativas que permitam ao aprendiz vivenciar a música de forma ativa. Cantar, ouvir, improvisar, explorar sons, movimentar-se corporalmente e criar são práticas que favorecem a construção do conhecimento musical de maneira contextualizada.

Além disso, a musicalização pode dialogar com diferentes abordagens pedagógicas. Entre elas, destaca-se a adaptação da proposta triangular de Barbosa (2010), que articula três dimensões fundamentais do ensino da arte: apreciar, contextualizar e fazer artístico. Aplicada ao ensino da música, essa perspectiva favorece uma aprendizagem mais significativa, na qual o estudante não apenas executa práticas musicais, mas também compreende seus aspectos históricos, culturais e estéticos.

Desse modo, a musicalização configura-se como um importante recurso educacional, contribuindo para o desenvolvimento da percepção auditiva, da criatividade, da sensibilidade estética, da coordenação motora, da expressão corporal e da formação cultural dos indivíduos. Além de favorecer a aprendizagem musical, possibilita a formação de ouvintes mais críticos e conscientes, fortalecendo a valorização da diversidade cultural e artística.

 

3.2 Musicoterapia: conceito e contribuições

 

A musicoterapia, por sua vez, constitui uma área de conhecimento voltada à utilização da música como recurso terapêutico em processos de promoção da saúde, prevenção, reabilitação e desenvolvimento humano. Diferentemente da musicalização, seu objetivo não é ensinar música, mas utilizar os elementos musicais para favorecer mudanças cognitivas, emocionais, comportamentais, motoras e sociais dos indivíduos.

Sob o ponto de vista etimológico, o termo musicoterapia resulta da associação entre "música" e "terapia", evidenciando a utilização da música como instrumento de intervenção terapêutica. Nessa perspectiva, a música deixa de ser um fim em si mesma e passa a constituir um meio para alcançar objetivos relacionados ao cuidado em saúde.

Assim, a musicoterapia não está centrada na qualidade estética da produção musical, mas no potencial que os sons, o ritmo, a melodia, a improvisação e as experiências musicais possuem para favorecer processos terapêuticos em diferentes públicos, incluindo pessoas com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento e outras condições clínicas.

Historicamente, a utilização da música com finalidade terapêutica remonta à Antiguidade. Conforme discutido anteriormente, Platão já atribuía à música propriedades relacionadas ao equilíbrio da alma e ao desenvolvimento humano, compreensão que influenciou diferentes concepções acerca dos efeitos da música sobre o bem-estar.

Entre os principais recursos empregados na prática musicoterapêutica destacam-se o canto, a improvisação, a composição musical, a escuta ativa, a utilização de instrumentos musicais, a expressão corporal e os jogos musicais. Esses recursos são selecionados de acordo com as necessidades e objetivos terapêuticos de cada paciente.

Segundo Gattino (2012, p. 34), o processo musicoterapêutico pode ser organizado em três etapas principais:

·                Avaliação inicial: momento destinado à observação do paciente e de seus familiares, buscando compreender as características individuais, as necessidades e os objetivos da intervenção;

·                Tratamento: etapa em que ocorre a utilização dos recursos próprios da musicoterapia, envolvendo música, sons, voz, instrumentos musicais e experiências corporais; e

·                Avaliação final: fase destinada à análise dos resultados obtidos durante o processo terapêutico, verificando possíveis mudanças em relação às condições inicialmente observadas.

A organização dessas etapas permite o planejamento de intervenções individualizadas, respeitando as características de cada sujeito e favorecendo o acompanhamento sistemático do processo terapêutico.

Desde a década de 1960, a musicoterapia vem sendo empregada em intervenções com pessoas com TEA, apresentando resultados promissores no desenvolvimento da comunicação, da interação social, da autorregulação emocional e da redução de determinados comportamentos estereotipados.

Entretanto, é importante destacar que a atuação em musicoterapia exige formação acadêmica específica e habilitação profissional. O exercício dessa atividade compete ao musicoterapeuta, profissional capacitado para planejar, executar e avaliar intervenções terapêuticas fundamentadas em conhecimentos científicos da área. Nesse sentido, Freire et al. (2017, p. 89) ressalta que:

 

 

o musicoterapeuta que queira promover maiores avanços em seus pacientes deve também estar atento à dimensão pedagógica de sua prática, aferindo e considerando as habilidades alcançadas. Da mesma forma, o educador musical que lida com alunos com deficiência deve estar atento às melhorias que seu aluno pode obter por meio do aprendizado musical e potencializá-las através do estímulo desses avanços.

  

Essa reflexão evidencia que, embora musicalização e musicoterapia estabeleçam pontos de aproximação, especialmente pelo uso da música como elemento central, ambas possuem finalidades distintas. A musicalização está inserida no campo da educação e tem como objetivo promover a aprendizagem musical. A musicoterapia, por sua vez, integra o campo da saúde e utiliza a música como recurso terapêutico voltado ao desenvolvimento humano e à promoção do bem-estar.

Portanto, distinguir esses dois termos torna-se fundamental para evitar equívocos conceituais e metodológicos. Embora compartilhem o mesmo objeto, a música, cada área apresenta pressupostos teóricos, objetivos, métodos e campos de atuação próprios, devendo ser compreendida em sua especificidade.

 

4.      A MÚSICA E O DESENVOLVIMENTO DE PESSAS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA (TEA)

 

O Transtorno do Espectro Autista caracteriza-se como uma condição do neurodesenvolvimento que afeta, em diferentes níveis, a comunicação, a interação social e o comportamento. Suas manifestações variam significativamente entre os indivíduos, razão pela qual o autismo é compreendido como um espectro, no qual cada pessoa apresenta características, necessidades e potencialidades próprias.

Entre as características mais frequentemente observadas em pessoas com TEA destacam-se dificuldades na comunicação verbal e não verbal, limitações na interação social, comportamentos repetitivos ou estereotipados, interesses restritos e alterações no processamento sensorial. Entretanto, é importante ressaltar que essas características não se manifestam da mesma forma nem com a mesma intensidade em todas as pessoas autistas.

Conforme o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), publicado pela American Psychiatric Association (2014), o Transtorno do Espectro Autista pode estar associado a diferentes condições clínicas e apresenta especificadores que permitem caracterizar sua manifestação em cada indivíduo, considerando aspectos como comprometimento intelectual, linguagem e possíveis condições médicas ou genéticas associadas.

Segundo o DSM-5, o TEA apresenta dois domínios centrais de comprometimento:

·                déficits persistentes na comunicação e na interação social em diferentes contextos;

·                padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades.

Essas características podem influenciar diretamente os processos de aprendizagem, socialização e desenvolvimento humano, exigindo intervenções educacionais e terapêuticas que respeitem as singularidades de cada pessoa.

Nesse contexto, a música destaca-se como um importante recurso de mediação, pois possibilita formas diversificadas de expressão, interação e comunicação. Considerando que parte das pessoas autistas apresenta dificuldades na linguagem oral, as experiências musicais podem favorecer processos comunicativos não verbais, ampliando as possibilidades de interação com outras pessoas. Além disso, a música pode contribuir para a organização de aspectos relacionados ao processamento sensorial, favorecendo situações de aprendizagem em ambientes estruturados e acolhedores (Rocha e Boggio, 2025).

Ressalta-se, entretanto, que os estímulos musicais devem ser cuidadosamente planejados, considerando as particularidades sensoriais de cada indivíduo, sobretudo nos casos de hipersensibilidade auditiva. Diante desse cenário, é importante questionar: quais são as contribuições da música para o desenvolvimento da pessoa com TEA?

A literatura analisada evidencia que uma das principais contribuições da prática musical reside na promoção da interação social. As atividades musicais favorecem o estabelecimento de vínculos, estimulam processos comunicativos e ampliam oportunidades de participação coletiva, elementos fundamentais para o desenvolvimento de pessoas autistas.

Contudo, é importante destacar que os benefícios decorrentes da música não ocorrem de maneira uniforme. Cada pessoa autista responde às experiências musicais de forma singular, de acordo com suas características individuais, seu perfil sensorial, seus interesses e seu contexto de desenvolvimento.

Corroborando essa perspectiva, observa-se que a prática musical favorece diferentes experiências de comunicação social. Ao cantar, tocar instrumentos, improvisar ou participar de atividades musicais coletivas, a pessoa autista amplia suas possibilidades de interação com outras pessoas, desenvolvendo competências relacionadas à atenção compartilhada, ao contato interpessoal e ao engajamento social (Gattino, 2012).

Louro (2012, p. 110) compreende que o aprendizado musical depende do desenvolvimento de diferentes funções cognitivas, ao afirmar que:

 

no ambiente musical, toda e qualquer ação, seja motora ou mental, precisa das estruturas cognitivas para que seja compreendida e executada; tais estruturas só se desenvolvem quando adequadamente estimuladas e vivenciadas. A música requisita as funções cognitivas, perceptivas e executivas. [...] Essas habilidades só se cristalizam a partir de uma boa maturação neurológica, de um bom desenvolvimento psicomotor.

 

 

Essa compreensão reforça a importância da estimulação musical como experiência significativa para o desenvolvimento humano. A música mobiliza processos perceptivos, cognitivos, motores, emocionais e sociais, favorecendo aprendizagens que extrapolam o domínio estritamente musical.

Além da aprendizagem musical propriamente dita, diferentes metodologias vêm sendo desenvolvidas para utilizar a música como recurso de apoio ao desenvolvimento da linguagem, da comunicação, da socialização e da coordenação motora.

Entre essas abordagens destaca-se a Musicoterapia Improvisacional, descrita por Gattino (2012), que consiste na criação de um espaço relacional em que musicoterapeuta e paciente interagem por meio da improvisação musical, utilizando voz, corpo e instrumentos como recursos de comunicação e expressão.

 

5.      RESULTADOS E DISCUSSÃO

 

É nesse contexto de limitações de ensino/aprendizagem que estão inseridas as relações entre música e autismo, e isso constitui um campo em expansão nas pesquisas científicas atuais. Embora alguns estudos apontem resultados promissores, ainda não existem evidências suficientes para explicar, de maneira definitiva, todos os mecanismos responsáveis pelos efeitos da música sobre o desenvolvimento de pessoas com TEA. No que se refere ao contexto musical, “há uma manifestação de emoções mais evidente que permite muitas vezes que a música seja um facilitador de comunicação para estes sujeitos” (Gattino, 2012, p.32).

Enquanto Gattino (2012) defende a utilização da musicoterapia “improvisacional” para o tratamento de pessoas com TEA, a pesquisadora Viviane Louro (2012) destaca a importância de desenvolver nas práticas educativas “atividades lúdicas paralelas, tais como jogos, brincadeiras e desafios que estimulem o desenvolvimento da aprendizagem”, entretanto, esses trabalhos têm demonstrado que a música pode favorecer processos relacionados à comunicação, à socialização, ao desenvolvimento cognitivo e ao bem-estar emocional. Além disso, observa-se que algumas pessoas autistas apresentam forte interesse pela música, característica que pode estar associada aos gostos específicos frequentemente descritos no espectro.

Quando se trata de assuntos relacionados aos desafios da educação inclusiva, Mantoan (2015), define que este ensino não se limita a ajustes técnicos ou organizacionais, mas implica uma transformação profunda na concepção de escola e de aprendizagem. A autora defende um movimento de reestruturação institucional que exige, sobretudo, a revisão das práticas pedagógicas e das atitudes docentes, deslocando o foco das limitações do aluno para a responsabilidade da escola em garantir aprendizagem a todos. Enquanto isso, Oliveira (2015, p. 70) afirma que determinados comportamentos presentes em pessoas autistas dentro das escolas, envolvem dificuldades de comunicação, contato visual reduzido, estereotipias, ecolalias, limitações na interação social e resistência às mudanças. Nesse contexto, a música apresenta potencial para favorecer intervenções voltadas à minimização dos impactos dessas manifestações.

Do ponto de vista emocional, a prática musical pode contribuir para processos de autorregulação, favorecendo a expressão de sentimentos e reduzindo situações de ansiedade e agitação em determinados contextos. No âmbito educacional, as atividades musicais estimulam a atenção, a concentração, a memória, a imitação e diferentes formas de aprendizagem.

Conforme Oliveira (2015, p. 114):

 

a música afeta o indivíduo em sua globalidade, contribuindo em questões não estritamente musicais, como, por exemplo, nos déficits decorrentes da sintomatologia autista (socialização, comunicação e comportamento); no desenvolvimento cognitivo, beneficiando a capacidade de imitação, concentração, atenção, observação e percepção; e na movimentação corporal, desenvolvendo o andar, parar, correr, gesticular, dançar e pular.

  

Relatos de familiares atribuídos nas pesquisas também evidenciam que, em determinadas situações, pessoas autistas respondem de forma mais significativa à comunicação mediada pelo canto (vocal ou coral) e por atividades musicais do que à linguagem oral convencional. Embora essas observações sejam recorrentes na literatura e na prática profissional, seus mecanismos neurocientíficos ainda demandam investigações mais aprofundadas.

 

A música como canal de comunicação da pessoa com TEA

A literatura investigada aponta até aqui que experiências musicais estruturadas podem contribuir significativamente para o desenvolvimento humano, especialmente quando associadas a práticas pedagógicas ou terapêuticas planejadas de acordo com as necessidades individuais de cada um. Sobre isso, Joly (2003) aponta para outros aspectos importantes a serem considerados quando se trabalha com pessoas com deficiência, o ambiente de aprendizado “deve ser aconchegante, seguro e motivador”.

Nesse contexto, vale ressaltar que técnicas metodológicas de atendimento as pessoas com TEA, como a educação musical especial e a musicoterapia, divergem em alguns procedimentos. Nesse sentido, Freire, Oliveira e Parizzi (2017) as distingue na tabela 1:


Tabela 1 - Educação Musical Especial e Musicoterapia: peculiaridades e interfaces.

Educação Musical Especial

Musicoterapia

Conjunto de práticas pedagógicas que
visam o desenvolvimento de competências musicais, através de experiências
tais como a apreciação, a performance
e a criação. Mesmo não sendo seu objetivo principal, acaba por desenvolver habilidades extra musicais, como a socialização, a coordenação motora e a percepção temporal e espacial. Na Educação Musical Especial a música é considerada como um fim em si
mesmo
Objetivo central: o aprendizado musical do aluno.

Utilização da música e/ou seus elementos constituintes, tais como ritmo, melodia e harmonia, por um musicoterapeuta qualificado, com um cliente ou um grupo, num processo destinado a facilitar e promover a comunicação, o relacionamento, a aprendizagem, a mobilização, a expressão, a organização e outros objetivos terapêuticos relevantes, a fim de atender às necessidades físicas, emocionais, mentais, sociais e cognitivas.

Objetivo central: a terapia e/ou a reabilitação do indivíduo através da música.

Fonte: Revista Brasileira de Musicoterapia, ano XIX, n. 22, ed. Especial, Curitiba, 2017.

 

É importante ressaltar que a musicalização na educação musical especial e a musicoterapia ajudam no fortalecimento das habilidades de comunicação social, compreendidas como a capacidade de iniciar, manter e responder a interações comunicativas. Cada um a seu modo. Gattino (2015, p.71) também destaca que:

 

 

uma das metas pretendidas pelos profissionais musicoterapeutas é que os pacientes aumentem o nível de comunicação e interação com os demais indivíduos à sua volta. As atividades musicais podem contribuir nesse sentido porque incentivam a atenção e a imitação, que consistem nos pilares da comunicação e da interação social.

 

 

 

Sobre a experiência musical estruturada, o autor ainda identifica quatro categorias de comportamentos que podem ser observadas durante o processo de envolvimento do indivíduo com a música. Essas categorias são apresentadas, a seguir, na Tabela 2, e constituem importantes indicadores do potencial da música para a comunicação de pessoas autistas.

 

Tabela 2 - Indicadores do potencial da música.

1.       Comportamento cronológico:

Ao estar comprometido com a música, o sujeito se adapta à realidade estabelecida por ela e mantém um comportamento objetivo de modo imediato e contínuo. Convém lembrar que o conceito de comportamento cronológico se refere não apenas às formas rítmicas corretas no transcorrer da música, mas também à harmonia, intensidade e melodias corretas.

2.       Comportamento adequado à realidade:

O comportamento musical pode adequar-se às capacidades e aos níveis de funcionamento físico e psicológico do indivíduo.

3.       Comportamento afetivamente orientado:

O indivíduo modifica as suas atividades físicas ou psicológicas ao ser influenciado por diferentes timbres, intensidades, andamentos, melodias e harmonias.

4.       Comportamento elaborado de acordo com os sentidos:

A música requer que o indivíduo aumente o emprego e a discriminação dos sentidos ao estar comprometido com a experiência musical. Além disso, a música pode suscitar ideias e associações extramusicais.

Fonte: Livro Musicoterapia e Autismo: Teoria e prática de Gustavo Schulz Gattino (2015, p.72).

 

Em conjunto, os comportamentos descritos por Gattino evidenciam que a experiência musical mobiliza processos cognitivos, emocionais, sensoriais e sociais de maneira integrada. Essa característica reforça o potencial da música como recurso complementar no desenvolvimento de pessoas com TEA, sobretudo por favorecer experiências de interação, comunicação e aprendizagem em ambientes educacionais e terapêuticos. Assim, mais do que uma atividade artística, a música configura-se como uma estratégia capaz de promover o desenvolvimento integral e ampliar as possibilidades de inclusão social.

Apesar das diferenças metodológicas, observa-se que tais pesquisas apontam uma relação direta entre o uso intencional da música e o desenvolvimento das competências sociais, cognitivas e comunicativas dos estudantes, indicando que a principal barreira para sua adoção não está na ausência de evidências científicas, mas na insuficiente formação dos docentes.

Dessa forma, considera-se que a música representa uma importante possibilidade de mediação pedagógica e terapêutica, favorecendo processos de inclusão e participação social. Contudo, novas pesquisas tornam-se necessárias para ampliar a compreensão acerca das relações entre Música e TEA, fortalecendo as evidências científicas que fundamentam sua utilização nos contextos educacional e terapêutico.

 

6.      CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este estudo teve como objetivo analisar as contribuições da música para o desenvolvimento de pessoas com TEA, a partir de uma revisão bibliográfica de caráter exploratório. As análises realizadas evidenciaram e contribuíram no entendimento de que a música constitui um importante recurso educacional e terapêutico, apresentando potencial para favorecer o desenvolvimento da comunicação, da interação social, da aprendizagem e de diferentes aspectos cognitivos e comportamentais.

As referências teóricas analisadas, apesar de suas limitações, convergem ao demonstrar que a prática musical pode contribuir para a promoção do desenvolvimento integral da pessoa com TEA, desde que planejada de forma intencional e respeitando as características, necessidades e potencialidades de cada indivíduo. Nesse sentido, a música configura-se como uma estratégia de mediação nos contextos educacional e terapêutico, favorecendo experiências significativas de aprendizagem, socialização e expressão.

Ao longo deste trabalho, também foi possível compreender, de forma breve, a necessidade de distinguir os conceitos de musicalização e musicoterapia no contexto da educação inclusiva. Embora ambas utilizem a música como elemento central de suas práticas, apresentam finalidades, fundamentos teóricos e metodologias distintas. A musicalização está voltada ao processo de ensino e aprendizagem da linguagem musical, enquanto a musicoterapia integra o campo da saúde e utiliza a música como recurso terapêutico para promover desenvolvimento, reabilitação e qualidade de vida.

A literatura consultada demonstra, ainda, que diferentes estudos têm apontado benefícios associados à utilização da música com pessoas autistas, especialmente em aspectos relacionados à comunicação, à interação social, à atenção, à cognição e ao fortalecimento dos vínculos familiares. Entretanto, os próprios estudos ressaltam que tais benefícios variam conforme as características individuais de cada pessoa e o contexto em que as intervenções são desenvolvidas.

Outro aspecto evidenciado nesta pesquisa refere-se ao crescente interesse de parte da comunidade científica pelas relações entre Música e Transtorno do Espectro Autista. Apesar dos avanços observados nas últimas décadas, ainda existem muitas lacunas que justificam o desenvolvimento de novas investigações, especialmente estudos empíricos que permitam compreender com maior profundidade os mecanismos pelos quais a música pode favorecer o desenvolvimento de pessoas com autismo.

Dessa forma, considera-se que a música possui significativo potencial como recurso pedagógico e terapêutico no contexto da educação inclusiva, podendo contribuir para práticas mais humanizadas, acessíveis e centradas nas singularidades das pessoas autistas.

Espera-se que esta pesquisa contribua para ampliar as discussões sobre a temática e incentive o desenvolvimento de novas investigações voltadas à utilização da música como instrumento de promoção da aprendizagem, da inclusão e da qualidade de vida.

Por fim, retoma-se a conhecida reflexão atribuída ao filósofo Friedrich Nietzsche quando nos diz que "sem música, a vida seria um erro". Embora se trate de uma afirmação de natureza filosófica, ela sintetiza a relevância da música como expressão da experiência humana e reforça sua capacidade de favorecer processos de desenvolvimento, inclusão e participação social, especialmente quando utilizada de forma ética, planejada e fundamentada em evidências científicas.

 

Declaração de Uso de IA:

Em conformidade com as diretrizes de integridade científica do CNPq, declara-se que a ferramenta ChatGPT foi utilizada exclusivamente como suporte técnico para revisão gramatical e formatação das referências. O uso da ferramenta não substitui a autoria humana, e os autores revisaram integralmente o conteúdo, assumindo total responsabilidade pela análise e redação final deste trabalho.

 

REFERÊNCIAS

Artigo em Revista:

FREIRE, Marina Horta; OLIVEIRA, Gleisson do Carmo de; PARIZZI, Maria Betânia. Música e autismo: um relato de experiência entre a musicoterapia e a educação musical especial. Revista Brasileira de Musicoterapia, Curitiba, ano XIX, n. 22, ed. especial, p. 85-90, 2017. Disponível em: https://musicoterapia.revistademusicoterapia.mus.br/index.php/rbmt/article/view/173. Acesso em: 15 jul. 2026.

 

ROCHA, Viviane Cristina da; BOGGIO, Paulo Sérgio. A música por uma óptica neurocientífica. Per musi, Belo Horizonte, n. 27, p.132-140, 2013. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S1517-75992013000100012. Acesso em: 10 set. 2025.

 

Dissertação, Tese e Trabalho de Conclusão de Curso:

GATTINO, Gustavo Schulz. Musicoterapia aplicada à avaliação da comunicação não verbal de crianças com Transtorno do Espectro Autista: revisão sistemática e estudo de validação. Tese de doutorado, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2012. Disponível em: https://lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/56681/000860826.pdf?sequence=1&isAllowed=y. Acesso em: 20 jul. 2026.

OLIVEIRA, Gleisson do Carmo. Desenvolvimento musical de crianças autistas em diferentes contextos de aprendizagem: um estudo exploratório. Dissertação de Mestrado, Escola de Música, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2015. Disponível em: https://repositorio.ufmg.br/items/b0f65af3-b063-4aae-ab1f-d42e66288901?utm_source=chatgpt.com. Acesso em: 20 jul. 2026.

 

Livro:

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. Tradução de Maria Inês Corrêa Nascimento et al. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.

BARBOSA, Ana Mae. Abordagem triangular no ensino das artes e culturas visuais. São Paulo: Cortez, 2010.

BENEZON, Rolando. (1985). O manual de Musicoterapia. Rio de Janeiro RJ: Enelivros.

GAINZA, Violeta Hemsy de. Estudos de psicopedagogia musical. 3. ed. São Paulo: Summus, 1988.

GATTINO, Gustavo Schulz. Musicoterapia e autismo: teoria e prática. São Paulo: Memnon, 2015.

JOLY, Ilza. Educação musical e inclusão: Uma experiência com crianças com necessidades especiais. São Paulo: Moderna, 2003.

LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de metodologia científica. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2003.

LOURO, Viviane dos Santos. Fundamentos da aprendizagem musical da pessoa com deficiência. São Paulo: Editora Som, 2012.

MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Inclusão escolar – O que é? Por quê? Como fazer? São Paulo: Summus, 2015

PENNA, Maura. Música(s) e seu ensino. 2. ed. rev. e ampl. Porto Alegre: Sulina, 2015.

PLATÃO. A República. Tradução de Maria Helena da Rocha Pereira. 15. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2017.

SEKEFF, Maria de Lourdes. Da música: seus usos e recursos. São Paulo: Editora UNESP, 2002.

SWANWICK, Keith. Ensinando música musicalmente. São Paulo: Moderna, 2003.

 

 

 

domingo, 22 de julho de 2018

Artigo do Parfor/UVA


A CONTRIBUIÇÃO DA MÚSICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL: ANÁLISES E OBSERVAÇÕES DO COLÉGIO ORIENTO DE GUARACIABA DO NORTE¹

Ana Raquel Rodrigues Torres²
Gleydson Frota de Almeida³



Resumo: Este artigo tem como objetivo geral compreender qual a utilização da música na sala de aula da educação infantil e como objetivos específicos investigar como a música pode auxiliar no desenvolvimento educacional das crianças do infantil V do Colégio Oriento e pesquisar quais os resultados atingidos com o auxílio da música nas aulas, bem como, de que maneira o professor trabalha com música em sala. As observações e entrevistas foram realizadas no Colégio Oriento na cidade de Guaraciaba do Norte no Ceará. A metodologia utilizada foi uma pesquisa exploratória de cunho qualitativo e o texto final foi fundamentado nas ideias e concepções de autores como: SILVA e GARCIA (2010), BRITO (2003), KRAMER (2003), entre outros.

Palavras-chave: Ensino. Educação Infantil. Música.



¹ Artigo apresentado como conclusão do curso de pedagogia Parfor/Uva, na universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA, como requisito parcial para a obtenção do grau de segunda licenciatura em Pedagogia.
2 Aluna do curso de Pedagogia Parfor/Uva.
3 Especialista em Música pela FVJ. Professor do curso de Pedagogia PARFOR/UVA. E-mail: gleydsonfrota@hotmail.com




1. INTRODUÇÃO

 A apropriação da música é muito significativa para o desenvolvimento da criança, uma vez que ela convive desde muito cedo com o universo musical em vários momentos, essa apropriação por meio das atividades realizadas na sala de aula desperta e estimula a criança a desenvolver não somente o gosto musical, mas as habilidades relacionadas ao conhecimento do mundo letrado, facilitando sua aprendizagem com a leitura e escrita.
A prática docente tem como um dos objetivos principais colocar os envolvidos no processo educacional em constante desafio, porém sempre com o intuito de leva-lo a um grau maior do desenvolvimento de sua própria aprendizagem.
Além disso é necessário que o educador esteja sempre atento ao que pretende oferecer as crianças nesse processo tão significativo que é seu processo educacional e pessoal, uma vez que a criança ao ser inserida no meio escolar espera-se que se atenda a todos os seus desenvolvimentos portanto, o educador precisa estar firme ao método que pretende oferecer para que tudo seja significativo a esse momento de aprendizagem da criança.
Tratar da importância da música no processo educacional não é restringir-se apenas nas experiências lúdicas, mas é enxerga-la como uma possibilidade enorme de torna-la uma mediadora e facilitadora do desenvolvimento integral da criança, visando o espaço escolar como um ambiente que colabore nesse processo de aprendizagem, por tornar as aulas e atividades muito mais satisfatórias e estimulantes, além de ampliar o repertorio musical do aluno, tendo em vista que a música também é considerada bastante significativa na aprendizagem das crianças ao se apresentar como um bem cultural e merecedor de todos.
A musicalização infantil é um processo de construção do conhecimento, que tem como objetivo despertar e desenvolver o gosto e a apreciação musical, favorecendo o desenvolvimento da sensibilidade, da criatividade, do senso rítmico, do prazer de ouvir música, da imaginação, memória, da concentração, da atenção, da autodisciplina, do respeito ao próximo, da socialização e da afetividade, também contribuindo para uma efetiva consciência corporal e de movimentação (BRÉCIA, 2003).
O artigo tem como objetivo geral compreender qual a utilização da música na sala de aula da educação infantil e como objetivos específicos investigar como a música pode auxiliar no desenvolvimento educacional das crianças do infantil V do Colégio Oriento e pesquisar quais os resultados atingidos com o auxílio da música nas aulas e de que maneira o professor trabalha com música em sala.
Os assuntos abordados foram Música e Educação; A importância do RCNEI nas práticas de ensino da educação infantil; A linguagem musical e a aprendizagem na educação infantil; O professor e o trabalho com música e por fim, os resultados e discussões no qual os dados foram analisados a partir de questionários culminando nas considerações finais.


2. MÚSICA E EDUCAÇÃO: UMA FERRAMENTA EM POTENCIAL PARA O DIÁLOGO

O Brasil possui uma grande riqueza musical e acredita-se que este potencial deve ser explorado e aproveitado em sala de aula com o intuito de aproximar a criança de seu poder de criar, de gerar beleza e de sentir alegria.  As canções de ninar, as cirandas de rodas e outras canções com as quais as crianças interagem. Sem esquecer a herança cultural recebida através das gerações.
Desta forma a música no contexto educacional busca estimular e desenvolver o pensamento, a linguagem e as expressões possibilitando à criança a descoberta dos sons que a rodeiam e com isso ser capaz de criar, novas formas de aprendizado.
A utilização da música enquanto maneira de expressar sentimentos há tempos que vem acontecendo nas mais antigas civilizações, pois através desta era possível a materialização de sentimentos como tristeza, alegria, vitalidade, hostilidade, dentre outros. Assim, a música já nestes tempos traduzia-se como instrumento imprescindível nas sociedades e sua forma de execução variava apenas em sofisticação, características grupais, dentre outros.
De acordo com Silva e Garcia (2010, p. 52):

A música é uma arte que está presente na humanidade desde as mais arcaicas sociedades, e em diversos momentos e situações, como um modo de expressar-se e manifestar sentimentos e momentos da vida, contribuindo para uma formação satisfatória do ser humano. A música é arte que se faz presente em diversos momentos da vida exercendo importante papel na formação do ser humano desde a infância, tendo em vista que ainda em fase intrauterina a criança já está interagindo com a linguagem musical.

Logo que o homem se identificou como um ser capaz de pensar, criar e recriar e tornar-se responsável pelos seus atos, sentiu a necessidade de expressar-se, de maneira que fosse possível transmitir, fazer-se compreender os seus pensamentos e ações. Diversas são as formas de comunicação, cada uma com sua peculiaridade, sejam os gestos, a dança, o teatro entre outras capazes de transmitir ao espectador aquilo que realmente se propunha que se compreenda.
A música, no entanto, em seu particular tem o poder de envolver, permitir que o indivíduo manifeste sua linguagem utilizando os sentidos, pois ela tem a capacidade de incentivar o homem de uma maneira singela exercendo seu papel de aperfeiçoamento do ser desde sua fase uterina quando a mesma é utilizada na concepção do ser, prosseguindo em todas as fases da vida do ser humano.
Gainza (1988, p. 28) menciona que “alguns indivíduos demonstram uma grande capacidade de introspecção, que se traduz na possibilidade de verbalizar suas próprias sensações, sentimentos, dificuldades e conquistas no campo musical”.
Diante disso a música é considerada uma forma de manifesto de pensamentos e sentimentos universal, pois tem a capacidade de adaptar-se a todos os gostos combinados aos sons e silêncios que lhes são dispostos ao longo do tempo, permitindo que a modifique de acordo com o tempo e necessidade.
Essas variações são possíveis e permitidas de acordo com a cultura, onde envolve várias situações como organização dos sons, definições de notas, ritmos e melodias entre outros atributos, que a música se permite alterar-se, ou simplesmente se definir para que seja estabelecida como interprete de muitas situações que a envolvem como uma criação da inteligência. Brito (2003, p. 31), nos fala que:

É difícil encontrar alguém que não se relacione com a música [...]: escutando, cantando, dançando, tocando um instrumento, em diferentes momentos e por diversas razões. [...] Surpreendemo-nos cantando aquela canção que parece ter “cola” e que não sai da nossa cabeça e não resistimos a, pelo menos, mexer os pés, reagindo a um ritmo envolvente [...]


A música é considerada como algo muito importante na vivência diária do ser humano, pois por meio de sua melodia e todos seus caracteres é capaz de transformar e adequar-se a diversas necessidades podendo trazer vários sentimentos como: alegria, tristeza, recordações, sensação de vitória, e em determinadas situações se faz muito útil, inclusive para promover a socialização, conduzir ao ensinamento e aprendizagem por ser algo que tem o poder de mexer com os afetos.
Com tal força, não é por acaso que a música é aplicada nas diversas áreas das atividades humana.  Ela se encontra atuante nos mais variados ambientes, como nas ruas, academias, bares, restaurante, em programas de TV, em vários tipos de eventos, são inúmeras a sua atuação, inclusive no âmbito educacional sendo o ponto de partida na maioria das vezes para a introdução de assuntos complexos ou até mesmo os mais simples com o intuito de elevar a aprendizagem a um nível maior, pois a mesma favorece um olhar mais amplo e menos complicado para o desenvolvimento das ações que lhe são atribuídas.

2.1 A IMPORTÂNCIA DA LDB E DO RCNEI NAS PRÁTICAS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO INFANTIL

Para entender como a música se manifesta na educação infantil é necessário compreender o seu contexto histórico e analisar seus antecedentes no Brasil. É difícil pensar na educação musical aplicada nos moldes de antigamente, pois a educação infantil no Brasil tinha cunho estreitamente assistencialista.
Na esfera pública, o atendimento as crianças de 0 a 6 anos, começa em 1899, com a criação neste mesmo ano do Instituto de Proteção e Assistência a Infância no Brasil (KRAMER 2003).
Na historia da Educação no Brasil, cuidar das crianças surge como ideia pouco relevante na sociedade, e ainda permaneceria assim por muitos anos, com algumas mudanças acontecendo gradualmente, mas a ênfase era manter a ordem em sala de aula como define Loureiro (2003) que para a escola, o que importava era utilizar o canto como forma de controle e integração dos alunos, desse modo, pouco atenção era dada aos aspectos musicais na perspectiva pedagógica.
Leis e normas que regulariam a educação infantil apresentam de forma clara como a criança foi tratada em nossa educação. Apenas com a nova LDBEN (Brasil, 1996) instituída como lei nº 9.394, se contemplaria o ensino de artes no seu Art.26, da seguinte forma “componente curricular obrigatório nos diversos níveis da educação básica, de forma que promova desenvolvimento cultural dos alunos”
A partir daí a música passa ser uma linguagem possível dentro das artes na educação infantil já que faz parte da educação básica. A construção de uma metodologia para trabalhar a música na educação está legalmente aberta.
Em 1998, foi publicado, pelo ministério da Educação (MEC) o Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil – RCNEI (Brasil,1998). Esse documento torna-se orientação metodológica para educação infantil, nele, o ensino de música está centrado em visões novas como a experimentação, que tem como fins musicais a interpretação, improvisação e a composição, ainda abrange a percepção tanto do silêncio quanto dos sons, e estruturas da organização musical.
O RCNEI (1998) dá ênfase à presença da música na educação infantil, o documento traz orientações, objetivos e conteúdos a serem trabalhados pelos professores. A concepção adotada pelo documento compreende a música como linguagem e área de conhecimento, considerando que esta tem estrutura e características próprias, devendo ser considerada como: produção, apreciação e reflexão.
O documento apresenta ainda orientações referentes aos conteúdos musicais, estes se encontram organizados em dois blocos “O fazer musical” – compreendido como improvisação (RCNEI, 1998, p.57), composição e interpretação e o da “Apreciação musical”, ambos referentes as questões da reflexão musical. A proposta do documento oficial é uma discussão sobre as práticas pedagógicas, aqui em especifico a de música.
De acordo com o RCNEI (1998, p. 55) para esta fase, os objetivos estabelecidos para a faixa etária de crianças de quatro a seis anos deverão ser aprofundados e ampliados, garantindo-se, ainda, oportunidades para que as crianças sejam capazes de:

• Explorar e identificar elementos da música para se expressar,
interagir com os outros e ampliar seu conhecimento do mundo;

• Perceber e expressar sensações, sentimentos e pensamentos,
por meio de improvisações, composições e interpretações
musicais.


3. A LINGUAGEM MUSICAL E A APRENDIZAGEM NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Para uma visão voltada ao intelecto, o saber musical começa por meio do convívio com o ambiente, por meio de experiências reais, que ao longo do convívio levam a subjetividade. Dessa forma, o uso da linguagem musical segue o indivíduo ao longo de sua vida, formando-o com uma visão cultural musical desde muito cedo, o que concede a criança e posteriormente o adulto, instruído a desfrutar da música, sendo capaz de analisá-la e compreende-la.
Sendo assim na educação infantil a música tem um valor bastante significativo, pois a criança em seu amplo desenvolvimento poderá desenvolver-se rapidamente ao som de uma música direcionada a sua capacidade de compreensão não importando se ela domina a linguagem oral ou a linguagem escrita. Para Borges (2003, p. 115):

Música é arte [...] seu papel na Educação Infantil é o de proporcionar um momento de prazer ao ouvir, cantar, tocar e inventar sons e ritmos. Por este caminho, envolve o sujeito como um todo, influindo, beneficamente, nos diferentes aspectos de sua personalidade: suscitando variadas emoções, liberando tensões, inspirando ideias e imagens, estimulando percepções, acionando movimentos corporais e favorecendo as relações interindividuais.

Contudo, a música tornar-se capaz de transformar o ambiente escolar, deixando-o mais alegre e vantajoso à aprendizagem, favorecendo uma alegria que seja captada no momento propício, quanto a isso se torna a perspectiva fundamental da pedagogia, por tanto é necessário que dedicação das crianças seja incentivada, recompensada, ou seja, elas devem sentir-se importantes e valorizadas.
A música é feita para ser bela e o belo existe para proporcionar alegria, a alegria estética. O ensino da música tem por objetivo levar os alunos a um contato feliz com as obras musicais, fazê-los viver uma experiência de alegria a partir delas (SNYDERS, 2008).
Ao ser instruído pela música a criança volta toda atenção para aquilo que lhe é solicitado, usando a sua criatividade e sensibilidade, pois a música transmite alegria, liberdade, autoafirmação tornando a sua capacidade equilibrada e fortalecida.
Percebe-se que a música pode ser trabalhada em várias áreas da educação, como: expressão, raciocínio lógico matemático, ciências, entre outros, no entanto para fazer com que isso aconteça o professor deve elaborar estratégias que possa abranger todos os aspectos necessários para a aprendizagem do educando. Rosa (1990, p. 21) diz ainda que a música contribui:

[...] para o desenvolvimento da coordenação viso motora, da imitação de sons e gestos, da atenção e percepção, da memorização, do raciocínio, da inteligência, da linguagem e da expressão corporal. Essas funções psiconeurológicas envolvem aspectos psicológicos e cognitivos, que constituem as diversas maneiras de adquirir conhecimento, ou seja, são a operações mentais que usamos para aprender, para raciocinar. A simples atividade de cantar uma música proporciona à criança o treinamento de uma série de aptidões importantes.


 Portanto, para as crianças de educação infantil é sugerido que grande parte dos conteúdos voltados para sua aprendizagem seja nele introduzido a música, pois como já comprovado situações lúdicas aplicadas em atividades dirigidas ao desenvolvimento da criança, deverão estar atentos às suas necessidades, uma vez que a criança encontra um ambiente afetivo, e favorável sua aprendizagem pode aprender com facilidade.
Assim sendo quando a criança tem oportunidade, na instituição de educação infantil, de vivência com a música acredita-se que ela a tenha como uma aliada, para seu próprio desenvolvimento reconhecendo-a como uma linguagem expressiva e comunicativa, onde se sentirá estimulada para todas as outras formas de aprendizagem incluindo a leitura e a escrita, tendo em vista que outras aptidões serão descobertas e trabalhadas como a compreensão, participação e segurança.
A música é um mecanismo que facilita a formação absoluta da criança, formação essa capaz de criar métodos para o mundo das letras, as músicas utilizadas pelo professor para que possa adentrar um conhecimento para as crianças, deve estar de acordo com seu nível, pois a mesma traz consigo sua própria vivencia ideologias, e particularidade.
A música tem o poder de ampliar todo o universo da criança, permitindo-a que se sinta livre, feliz, realizada, extraindo tudo de bom que possa existir dentro dela. Portanto a música apresenta-se como um intermédio entre a criança e seu crescimento uma vez que ela interagindo com o meio favorece todos os elementos necessários para sua aprendizagem.


3.1 O PROFESSOR E O TRABALHO COM A MÚSICA

O professor é o responsável pela mediação, a coordenação das atividades em sala de aula, e como tal deve saber utilizar a música no espaço escolar para que de fato possa ser um atrativo para as aulas sem desmerecer e perder as características de propriedade pedagógica e dessa forma desenvolver metodologias para que as aulas tornem-se mais significativas e eficientes. Conforme Saviani (2003, p. 40):

[...] a música é um tipo de arte com imenso potencial educativo já que, a par de manifestações estéticas por excelência, explicitamente ela se vincula a conhecimentos científicos ligados à física e à matemática além de exigir habilidade motora e destreza que a colocam, sem dúvida, como um dos recursos mais eficazes na direção de uma educação voltada para o objetivo de se atingir o desenvolvimento integral do ser humano.

É importante salientar que a música age de uma forma bastante reflexiva nas mais variadas áreas do desenvolvimento psicossocial, cognitiva, proporcionando o aluno uma postura mais ampla nas suas experiências de aprendizagem que seria de certa forma inviável para que a aprendizagem pudesse ocorrer. Na concepção de Correia (2003, p. 84-85):

A música auxilia na aprendizagem de várias matérias. Ela é componente histórico de qualquer época, portanto oferece condição de estudos na identificação de questões, comportamentos, fatos e contextos de determinada fase da história. Os estudantes podem apreciar várias questões sociais e políticas, escutando canções, música clássica ou comédias musicais. O professor pode utilizar a música em vários segmentos do conhecimento, sempre de forma prazerosa, bem como na expressão e comunicação, linguagem lógico-matemática, conhecimento científico, saúde e outras. Os currículos de ensino devem incentivar a interdisciplinaridade e suas várias possibilidades.

Quanto ao progresso do cognitivo linguístico, compreende-se que a criança desenvolve sua aprendizagem pelas situações que lhe são sugeridas, ou seja, quando ela tem a oportunidade de experimentar no dia a dia novo estimulo ou até mesmo situações conhecidas, porém com outra forma de introdução.
De qualquer forma a música é sempre uma boa opção para incentivar e atrair olhares principalmente das crianças da educação infantil, onde sem perceber as crianças iniciam sozinho o processo de sua própria alfabetização aprimorando tudo de uma só vez, com a mais pura simplicidade, onde o professor deve apenas intervir, porém se necessário, pois, a música em sua plenitude consegue abranger todas as áreas do conhecimento e desenvolvimento da criança, tornando mais fácil o trabalho do professor que deverá atender as necessidades apresentadas pela criança, assim como a criança demonstrará mais desenvoltura já que a mesma está aprendendo por meio das brincadeiras que as cantigas proporcionam.


4. TRILHANDO OS CAMINHOS METODOLÓGICOS

A análise de dados trata-se de resultados obtidos por meio da pesquisa exploratória e o instrumento de pesquisa foi desenvolvido através de observações, durante um período de um mês e entrevistas de cunho qualitativo utilizando questionários com perguntas semiestruturadas e questões fechadas sobre as temáticas tratadas aqui.
Os protagonistas da pesquisa foram duas professoras do Colégio Oriento onde uma tem 29 anos graduada em Matemática e Pedagogia e a outra tem 32 anos graduada em Letras e Pedagogia. Ambas têm em média oito anos de experiência.
Preservaremos os nomes dos pesquisados para proteger a identidade dos mesmos e utilizaremos siglas para as apresentações. P.1 para a professora 1 e P.2 para a professora 2.
Nas observações, pode-se analisar que as professores do infantil V utilizam a música como ferramenta pedagógica em suas aulas e atividades curriculares através do canto musical individual, que seria a voz cantada “a capella” que elas fazem com seus alunos e também por meio de recursos de caixas de som e cds.
O questionário apresentado aos entrevistados traz como problematização qual a concepção do uso da música na Educação infantil para as professoras em questão.
Como a música é utilizada em sala de aula? Se esta é trabalhada diariamente em sala como instrumento de auxilio pedagógico? Como as crianças reagem quando essa fermenta é usada em sala de aula? A música entra no planejamento pedagógico ou é inserida de modo espontâneo?
 As respostas serão relatadas a seguir:
Ao questionarmos sobre como a música é utilizada em sala, obtivemos as seguintes respostas.
P.1: “A música faz parte da rotina da sala, é aplicada na acolhida, na contação de história e despedida, além de ser utilizada como metodologia dos conteúdos.”
P.2 “Utilizo a música como uma ferramenta de aprendizagem, interação, socialismo, inserção de valores.”

Sobre o questionamento de como utilizar a música na sala, a cada dia tem necessidade de introduzir na aula algo novo, uma didática nova e sendo assim a música é esse novo instrumento que se faz presente e desperta estimulo, mas é preciso que os educadores introduzam esse material de acordo com a realidade do aluno, e que esse educador seja critico e reflita sobre sua pratica docente a fim de proporcionar aos seus alunos aulas mais dinâmicas e ludicidade.

            As respostas apreendidas referem-se ao uso da música em sala como instrumento de auxilio pedagógico.
P. 1: “Sim é uma ferramenta fundamental.”.
P.2: “Sim, trabalho a música diariamente como instrumento pedagógico que facilita a internalização de conhecimentos e conceitos intelectuais e sociais.”.

Partindo da resposta das professoras percebe-se um grande entusiasmo das mesmas ao relatar os questionamentos, e ambas relatam que com a utilização da música nas aulas, melhora o desenvolvimento intelectual além de desenvolver habilidades, concentração e coletividade nas crianças.
Visando a necessidade de uma aprendizagem mais relevante nos dias atuais se torna cada vez mais importante a ludicidade no âmbito escolar, pois ela facilita e é capaz de tornar o lugar mais acolhedor e favorável a aprendizagem. A música pode não somente ajudar as crianças no aprendizado, mas também, no processo de socialização e interação.
Conferimos o ponto de vista das professoras sobre como as crianças reagem quando a música é utilizada em sala de aula?
P.1: “Elas gostam, pois aguça a atenção, concentração, compreensão e interpretação.”
P.2: “As crianças reagem diante da música de maneira atraída, concreta e coorporativa, encantadas com a concretização da aprendizagem.”

De acordo com CHIARELLI; BARRETO (2005):

Atividades como cantar fazendo gestos, dançar, bater palmas, pés são experiências importantes para a criança, pois elas permitem que se desenvolva o senso rítmico a coordenação motora, sendo fatores importantes também para o processo de aquisição da leitura e da escrita.


A música e a dança permitem a expressão pelo gesto e pelo movimento e tem a magia de proporcionar momentos alegres, descontraídos, agradáveis e prazerosos para as crianças. Através da música a criança aprende a se desenvolver pois é incentivada a construir conhecimento. Quando o professor utiliza a música na aprendizagem, a criança aprende com muito mais facilidade.
Diante das observações, notou se que as crianças gostam quando os professores trazem conteúdos que envolvem a música e isso favorece a aprendizagem das crianças, sem falar que para as mesmas aprender brincando é muito mais interessante.

Questionamos se música entra no planejamento pedagógico ou é inserida de modo espontâneo?
P.1: “As músicas empregadas nas aulas são inseridas no planejamento pois devem está conectadas a proposta pedagógica.”
P.2: “A música entra no planejamento de modo organizado dentro de um conteúdo, um conceito, como ferramenta de acolhida ou socialização, mas também entra de modo espontâneo como ferramenta de interação e descontração ou ainda compartilhamento.”.

A discussão a cerca dessa questão é bem complexa pois uma hora se faz de modo espontâneo, outra planejado, no entanto é importante planejar pois sabemos que ainda existem muitos professores que entram em sala de aula sem ter a menor noção do que vai fazer para seus alunos e trabalham de modo improvisado. Sabemos que o plano de aula é flexível, contudo planejar é essencial.
O planejamento é o instrumento para facilitar, dinamizar e perfeiçoar o trabalho pedagógico. É um momento de reflexão sobre a ação para melhor agir.
Na educação infantil, o planejamento deve ser entendido como o primeiro passo do processo de ensino aprendizagem.
As coletas desses dados fazem-se necessária, mas é preciso a sensibilização dos professores quanto ás possibilidades que a música tem de favorecer o bem estar e o crescimento dos alunos, pois ela (a música) fala diretamente ao corpo à mente e as emoções.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O trabalho realizado com música pelas professoras do Colégio Oriento é de grande importância para as crianças do infantil V, pois proporciona a elas um melhor desempenho, concentração, autonomia e diversão além de ter um impacto positivo na aprendizagem do aluno e por que não dizer, das docentes.
O trabalho deixa claro que é preciso pesquisar bastante sobre esse universo, porém, não podemos deixar de perceber a importância do ensino de música nas escolas para crianças de todas as idades.
Ficou claro que após esta pesquisa, as crianças tiveram uma importante evolução social e desenvolvimento da linguagem oral, e foi possível notar que a música é uma importante linguagem artística cujo seu conhecimento favorece um ambiente prazeroso para o processo de ensino aprendizagem das crianças.  
Por fim, é necessário que a música seja inserida não só na estrutura curricular, mas no cotidiano da sala de aula para que ela seja capaz de ajudar os alunos, motivando-os e facilitando em seu processo de desenvolvimento social e educacional.

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS    

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BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria da Educação Fundamental. Referencial curricular nacional para a Educação Infantil. Brasília: MEC/SEF, 1998.

BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Nº 9.394 de 20 de Dezembro de 1996. Editora do Brasil.

BRÉSCIA, Vera Lúcia Pessagno. Educação Musical: bases psicológicas e ação preventiva. São Paulo: Átomo, 2003.

BRITO, Teca de Alencar. Música na educação infantil: propostas para a formação integral da criança. São Paulo: Petrópolis, 2003.

CHIARELLI, Lígia Karina Meneghetti. A música como meio de desenvolver a inteligência e a integração do ser, Revista Recre@rte Nº3 Junho 2005: Instituto Catarinense de Pós-Graduação.  

CORREIA, Marcos Antonio. Música na Educação: uma possibilidade pedagógica. Revista Luminária, União da Vitória, PR, n. 6, p. 83-87, 2003. Publicação da Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de União da Vitória. ISSN 1519-745-X
 
GAINZA, Violeta Hemsy de. Estudos de Psicopedagogia Musical.3. ed. São Paulo: Summus, 1988.

KRAMER, Sônia. A Política do pré escolar no Brasil: A arte do disfarce. 7. ed. São Paulo: Cortez . 2003.

LOUREIRO, Alicia Maria Almeida. O ensino da música na escola fundamental. São Paulo: Papirus, 2003.

ROSA, Nereide Schilaro Santa. Educação musical para a pré-escola. São Paulo: Ática, 1990.

SAVIANI, Dermeval. Revista de Ciências da Educação. Centro Universitário Salesiano de São Paulo. Ano 05-nº 09-2º semestre/2003.
SNYDERS, Georges. A escola pode ensinar as alegrias da música? 5. ed. São Paulo: Cortez, 2008.
SILVA, D. G. da. A importância da música no processo de aprendizagem da criança na educação infantil: uma análise da literatura. 2010. Trabalho de conclusão de curso (Graduação e Pedagogia)- Universidade Estadual de Londrina, Londrina,  2010.